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OBRIGATORIEDADE DO AIRBAG E ABS NOS MODELOS NACIONAIS DEVE SIMPLIFICAR A CADEIA PRODUTIVA

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(WebMotors) - Quando o Governo Federal assinou a lei que obriga as montadoras a instalarem airbags e ABS em 100% da produção até 2014, o bloco das lamúrias logo ergueu a voz com argumentos de que os carros iriam ficar bem mais caros. Só que a história deve ser bem diferente das ameaças ao bolso alheio. Engenheiros e executivos do setor lembram que a nova regra vai otimizar ainda mais as linhas de montagem. Além disso, a demanda maior pelos dois itens de segurança vai acarretar uma natural economia de escala. Tanto que as montadoras já começaram a fase de adequações e de negociações com fornecedores. "Isso gera uma simplificação do processo de montagem, pois todos os veículos terão a mesma configuração. Algumas montadoras chegam a ter 25 ou mais pacotes de opcionais e isso deixa qualquer produção complexa", acredita Paulo Roberto Garbossa, consultor da ADK Automotive.

A lógica é realmente simples. Hoje, em uma mesma linha de montagem, há diferentes configurações de veículos. Inclusive dos modelos que recebem airbag, ABS ou os dois. Ou seja, há carros na mesma linha no qual é necessário montar as peças e componentes para receber tais itens de segurança, e há outros carros que não recebem os equipamentos e, por isso, têm montagem diferente. Com a obrigatoriedade, o processo será simplificado e racionalizado. "Desta forma se uniformiza todo o processo, desde o depósito das peças até a cadeia de fornecimento e de produção", ressalta Marcelo Martin, diretor do Comitê de Manufatura da SAE Brasil – Sociedade dos Engenheiros da Mobilidade.

Até porque a introdução das bolsas de ar requer outros pré-requisitos e cuidados. Usa dispositivos explosivos, que implicam na mudança dos cintos de segurança dianteiros – que passam a contar com espoletas para disparo dos airbags –, e painéis frontais e volantes – para "acomodar" as bolsas. O ABS nos freios também pede aplicação de componentes e sensores. Um impacto principalmente para os compactos de entrada, segmento mais carente de itens de segurança. "Isso vai obrigar a uma reavaliação da linha de montagem. Significa também mais itens, mais estoque. Uma sistemática da produção que as montadoras já começaram a aplicar para 2014", explica Harley Bueno, da AEA – Associação Brasileira de Engenharia Automotiva.

Os fabricantes, é claro, já correm atrás. Inclusive porque, pela Lei, há uma aplicação gradativa do volume de carros que saem da fábrica com os equipamentos. Para os modelos já existentes, começou este ano com 8% para cada modelo. Já os projetos novos, lançados após a assinatura do documento, terão de entrar 2011 com 10% de sua gama com ABS e airbag. Em 2012, esse percentual já será de 30% e, em 2013, todo lançamento já terá de ter os dois itens. Para os projetos já existentes, só mesmo 2014 vai obrigar 100% da produção. "Não tem muito mistério, até porque a Fiat tem esses itens disponíveis para quase toda a gama. É mais uma questão de aumento de volume que está ligada ao fornecedor", explica o engenheiro Carlos Henrique Ferreira, consultor técnico da Fiat. A obrigatoriedade, contudo, deve decretar o fim de vida de dois modelos: o Uno Mille, pelo alto custo da adaptação, e a Kombi, devido a seu projeto defasado.

Assim, a obrigatoriedade envolve, além da adequação da linha de produção, negociações com fornecedores. Por isso o prazo de quase quatro anos, além do fato de atualmente só uma empresa produzir ABS no Brasil. "A preocupação da legislação foi essa. Escalonar para que não falte o produto nem chegue por um preço absurdo. O primeiro momento é a oportunidade de negociar. E, se não conseguir um fornecedor nacional, tem opção de importar", pondera Harley Bueno. No fim das contas, essa simplificação da logística da produção e o ganho em escala dos componentes deve neutralizar o temido aumento de preços.

Nos Estados Unidos, por exemplo, calcula-se que o ABS tenha um custo de apenas US$ 50 por carro – equivalentes a R$ 88 –, devido à escala do produto. No Brasil, estima-se que cada um dos equipamentos pode ter o preço entre R$ 500 e R$ 700, já que o volume de produção aqui é três vezes menor que o norte-americano. Hoje, o custo no mercado nacional fica na faixa de R$ 1,5 mil, em média. "O preço da aplicação desses itens deve chegar a um ponto de equilíbrio, com valores mais baixos, graças a um inventário menor de peças e menos processos diferenciados", aposta Marin, da SAE.

Instantâneas
# Na Europa, não há obrigatoriedade de itens de segurança, mas, atualmente, mais de 90% dos carros no continente saem com seis airbags, freios com ABS e EBD e controle de estabilidade – ou ESP.
# No mercado brasileiro, estima-se que apenas 25% da produção de automóveis e comerciais leves possuam airbags e que 15% sejam equipados com ABS.
# O ABS foi aplicado pela primeira vez em aviões, em 1952. Em 1959, o Jaguar MK VU foi o primeiro automóvel a dispor do sistema.
# Pela Lei, para os projetos já existentes, o índice de aplicação do ABS e do airbag obrigatório segue esta ordem: 8% em 2010, 15% em 2011, 30% em 2012, 60% em 2013 e 100% em 2014.

Questão de vida

O impacto econômico da obrigatoriedade do ABS e do airbag nos modelos nacionais é mínimo, se comparado com os ganhos sociais que podem gerar os itens no carro. Afinal, os custos com acidentes de trânsito no país são alarmantes. Dados de 2009 do Ipea – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – estimam que eles geram gastos de R$ 25 bilhões ao ano. Na comparação, um levantamento do Cesvi Brasil – Centro de Experimentação de Segurança Viária – calcula que se o airbag fosse obrigatório só para o motorista desde 2001, 3.426 vidas teriam sido salvas até 2007 – 489 mortes por ano – e 71.047 feridos leves teriam saído ilesos. Isso geraria uma economia de R$ 2,2 bilhões em seis anos aos cofres públicos. E, vale a pena repetir, os números se referem apenas ao airbag para o motorista.

O NHTSA, órgão federal responsável por normas de segurança dos veículos nos Estados Unidos, calcula que, de 1987 a 2006, os airbags contribuíram para salvar cerca de 22.500 vidas nos Estados Unidos, país no qual 95% dos carros têm airbag e 90% têm ABS, mas só alguns estados exigem os equipamentos por Lei. Estudos da Abramet – Associação Brasileira de Medicina de Tráfego –, por sua vez, revelam que o uso combinado de ambos os itens podem reduzir em até 54% o nível das lesões nos ocupantes. "É uma necessidade essa lei, mas ela tem de vir acompanhada de educação desde a formação do condutor. Mostrar como é a segurança em termos de airbag, como funciona o ABS, a importância do cinto de segurança para todos ocupantes, precaução em pisos molhados etc", sugere Dirceu Rodrigues Alves Junior, chefe do Departamento de Medicina de Tráfego Ocupacional da Abramet.
24/08/2010

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